Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013

Wolverine: Arma X

Wolverine: Arma X
Colecção Heróis Marvel - Série II - Vol. 9
Argumento: BWS, Chris Claremont, Frank Teri
Desenho: BWS
Cores: BWS, Raymond Lee
184 pág., cor, cartonado, 17 x 26 cm, € 8,90 
Distribuição com o jornal Público. 
Levoir, Dezembro 2012

Publicado originalmente em Marvel Comics Presents nº 72 - 84 (1991), Uncanny X-Men nº 205 (1986), Wolverine nº 166 (excerto, 2001) 

Este era um dos volumes, juntamente com Surfista Prateado: Parábola e Demolidor: Renascido, que mais esperava desta segunda série da Colecção Heróis Marvel pelo simples facto de na sua criação estar Barry Windsor-Smith.

Sem interferências editoriais, sem questões de continuidade e sem pressões para a incluir mais activamente no Universo Marvel, poucas obras mainstream de super-heróis têm a unicidade de Arma X, facto assegurado pela visão e empenho do seu único criador, chegando mesmo BWS a escolher ele próprio as tintas que seriam usadas na impressão para assim conseguir uma melhor reprodutibilidade e usar todas as possibilidades técnicas que o fraco papel onde os comic-books eram impressos na altura oferecia.

Que se tenha dado a possibilidade a BWS de publicar esta inovadora história a nível narrativo na Marvel Comics Presents, um comic que apresentava novos autores e/ou histórias de personagens sem titulo próprio não direccionadas para um público mais adulto, é no mínimo estranho, desde logo pela quantidade de sangue que é mostrado, facto pouco comum nos comics da Marvel até então, e em cenas que pareciam saídas de um filme de David Cronenberg.

Vinheta de Wounded Wolf em Uncanny X-Men nº 205 (Maio 1986)




Sobre a história em si, a origem das garras de adamantium de Logan, o texto de introdução de João Lameiras e uma vez mais bastante esclarecedor. Texto esse que juntamente com o trabalho de legendagem de Hugo Jesus e Rui Alves e com a inclusão da história publicada no Uncanny X-Men nº 205 (1986), Wounded Wolf, da dupla Claremont/BWS, é o melhor desta edição, tudo o resto é para mim uma desilusão total porque acima de tudo deturpa a visão do seu criador.

Como é conhecido por todos os seus admiradores, uma das maiores “lutas” de BWS na Marvel foi conseguir, já desde os seus tempos no Conan, que a editora desse mais atenção ao processo de coloração das suas histórias.

Em Arma X o autor concebeu as cores especificamente para serem reproduzidas no já referido papel tipo jornal dos comics. Quando a Marvel decidiu reunir os 13 capítulos num único volume e em papel mais grosso e brilhante, não fez o devido trabalho de ajustamento das cores e estas ficaram mais fortes e saturadas. BWS chegou a contactar a editora para que esta fizesse esse trabalho de ajustamento nas sucessivas reimpressões dos TPB’s mas, obviamente e infelizmente, sem sucesso.
Um dos guias de cor originais pintados por BWS para o capitulo 11

A versão impressa dessas três vinhetas na Marvel Comics Presents nº 83 (Setembro 1991)

Nesta edição portuguesa esse trabalho também não foi realizado, tendo sido publicados os ficheiros tal como foram fornecidos pela Marvel com a agravante dos pretos terem ficado muito carregados na impressão, obscurecendo assim em inúmeras páginas os desenhos meticulosos de BWS.

Se era trabalho impossível de se realizar no espaço de tempo apertado que a equipa disponha para compor este volume, então no mínimo não deveriam ter sido incluídas as reproduções das capas dos referidos TPB’s com as quais BWS nada teve a ver. Alguém pegou em ilustrações e/ou capas originais, “modernizou” as cores e fez design corta e cola nessas capas, curiosamente a técnica usada nas desta colecção, incluindo a deste volume.

Admira-me portanto que este Wolverine: Arma X possa aparecer em listas que nomeiam as melhores edições de 2012. Para mim é das piores.

Por isso, e esta é também a opinião do autor, a visão mais pessoal de BWS para esta obra ainda se encontra apenas nos comics originais, que felizmente possuo na minha colecção.

Arte original da página 5 do capitulo 5 publicada na Marvel Comics Presents nº 77 (Junho 1991)

6 comentários:

  1. O problema é que deve ser complicado arranjar os comics da saga toda.

    Quando vi este post lembrei-me logo da nossa conversa. De salientar o trabalho do autor em tentar corrigir a situação.

    Agora quem não conhece o original não tem termo de comparação e por isso não estranho a inclusão do livro nos tops (acabei hoje o punisher ainda me faltam muitos até chegar a esse).

    Abraço

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    1. Gabriel,
      Nas lojas americanas online encontram-se com facilidade e baratos.

      O próprio volume oferece o termo de comparação: a história Lobo Ferido está com uma excelente reprodução dos pretos e das cores. Compara por exemplo as páginas 154 e 155 com as 58 e 59. Nas primeiras, apesar do desenho rendilhado do BWS, todos os traços são visíveis com clareza, nas outras só com boa luz ou de dia é que se consegue ver nitidamente o desenho.

      É esta aleatoriadade que chateia e o que eu pensava ser trabalho realizado pela equipa mas afinal não é: simplesmente se a Marvel mandar bons ficheiros então fica uma boa edição, se mandar com menos qualidade, edita-se na mesma como está.

      Não acho correcto.

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  2. Excelente livro, mas o final duplo era desnecessário!
    ;)

    Abraço

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    1. Sim, é uma das melhores histórias do Wolverine.
      Não é bem um final duplo Nuno...
      O "primeiro final" é uma experiência para ver até onde o Logan ia em termos de selvajaria. Mas foi a astúcia que o libertou no verdadeiro final.

      Abraço

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  3. Pelo exemplo que dás em que se vê o original e a versão mais disseminada, nota-se bem uma grande diferença. É uma pena que tantos artistas tenham que passar por isto. Para eles, os artistas, o que fazem é algo que de certa forma tenta reflectir a sua pessoa, a sua ARTE, e tratam os seus desenhos e pinturas com o maior cuidado do mundo. Para quem está a editar, muitas vezes, é como encher chouriços :S É muito mau que qualquer pessoa tenha que ver a sua obra assim adulterada. Claro que há pessoal que liga mais a estes 'pormenores' do que outros. Cada qual com a sua sensibilidade.

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    1. Luis,

      Quando se tem mais informação e termos de comparação, são os pormenores que distinguem uma boa edição de uma apenas regular.

      Então quando se tem pouca ou nenhuma consideração pela opinião do autor então a edição passa a realmente má e apenas perpetua os erros da Marvel. Se o BWS visse esta versão da sua obra de certeza que acharia o mesmo.

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